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Com foco na transição energética, setor de biocombustíveis investe R$ 42 bilhões

Com o estímulo da transição energética, o setor de biocombustíveis está realizando significativos investimentos no Brasil. Neste ano, as empresas da área já estão implementando investimentos da ordem de pelo menos R$42 bilhões. Esse montante refere-se, exclusivamente, ao capital destinado à infraestrutura industrial, excluindo os investimentos agrícolas.

O principal destaque dessa movimentação é o etanol de milho. Conforme dados da Unem (União Nacional do Etanol de Milho), há R$15,8 bilhões alocados em projetos avançados, incluindo a construção de novas unidades e iniciativas em processo de licenciamento e início de obras. Esses projetos estão localizados em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Tocantins, Pará, Paraná e Rio Grande do Sul, com conclusão prevista até 2026. Parte da expansão do etanol de milho resulta da priorização das usinas de cana na produção de açúcar, que é mais lucrativa do que o etanol. Esse cenário abre oportunidades para a indústria de milho, conforme Juliano Merlotto, sócio da FG/A.

Além disso, o setor está investindo na ampliação de fábricas existentes e na criação de novas unidades para biodiesel, biometano, etanol celulósico e açúcar. Guilherme Nolasco, presidente da Unem, observa que o setor de bioenergia está atento às oportunidades da transição energética, que abrangem várias rotas de produção. Ele destaca que o Projeto de Lei do Combustível do Futuro, atualmente em tramitação no Senado, que propõe o aumento das misturas de biodiesel e etanol, além de mandatos para biometano e bioquerosene de aviação (SAF), sinaliza ao setor privado que os biocombustíveis são uma prioridade na transição energética.

No segmento de biodiesel, os investimentos em expansão e novas unidades para este ano são estimados em R$6 bilhões pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Em outra área, a Associação Brasileira de Biogás (Abiogás) prevê que suas associadas expandam a capacidade de biometano em 7 milhões de metros cúbicos diários até 2029, o que exigirá investimentos de R$7 bilhões.

Fonte: Valor Jornal Econômico.